Eu. Sentada numa cadeira de madeira que tanto gosto com uma caneta qualquer e o meu bloco de notas preferido escrevendo ao vento frases inventadas num instante qualquer.
Você De longe me olha como se quisesse decifrar algo que eu venho tentando há tempos. Olha como se enxergasse por entre minha pele. E sorri.
Eu. Tento não esboçar qualquer interesse sobre o seu olhar. Continuo ali sem saber o que escrevo.
Você. Caminha rapidamente sobre o chão que faz barulho como se caminhasse num monte de pedras. Acomoda-se a minha frente e fica esperando qualquer atenção involuntária de curiosidade.
Eu. Sinto um medo-sem-motivo que faz meu coração bater acelerado, as mãos tremerem... eu paro, e olho. Olhos nos olhos.
Você. Me olha, solta um suspiro qualquer e começa a olhar minhas palavras mas sem a intenção de lê-las. Procura um comentário e fala sobre minha letra ligeiramente inclinada para trás, observa o mistos de letras maiúsculas e minúsculas, letras de mão e forma que fazem com que minhas palavras sejam engraçadas. Não o sentido em si, mas a visão que elas dão.
Eu. Solto um sorriso tímido com olhares para papel trazendo-o junto ao meu corpo como se não quisesse olhares nele. Recomponho-me. Olhos nos olhos.
Você. Posso ficar aqui te olhando escrever?
Minh’Alma. Gostaria de ficar pra sempre?
Eu. Claro.
[...]
Olhos nos olhos. Mãos sobre mãos. Lábios...
Quebra-se assim a promessa de intervir sobre sentidos que deveras sente.
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